Como é viver na Coreia do Norte? O país mais fechado do mundo!

Automóveis novos, construções bem elaboradas, investimento tecnológico na educação, empreendimentos similares ao ocidente capitalista… O ditador Kim Jong-un parece ter transformado a capital da Coreia do Norte em uma espécie de vitrine do seu regime.

Grande parte dos investimentos que não são destinados ao programa nuclear do país, são direcionados à sua capital Pyongyang, onde, pelo menos de uma maneira oficial, todas as pessoas possuem acesso a serviços básicos de alta qualidade, respaldo e atendimento especializado nas áreas da saúde e educação, além de plataformas específicas de entretenimento.

Entretanto, será que essa realidade contempla a maior parte da população norte-coreana? Que mistérios abrigam esse povo tão misterioso? A partir de agora, conheceremos um pouco mais sobre COMO É VIVER NA COREIA DO NORTE, O PAÍS MAIS FECHADO DO MUNDO.

A VIDA NA CAPITAL:

Um dos pontos mais intrigantes quando o assunto é a vida na capital Pyongyang, com certeza é a ausência de sinais de desigualdade social ou dos mais simplórios problemas de saúde entre os quase três milhões de habitantes da região.

Bastam alguns dias na cidade para que seja notável a dificuldade em localizar um único morador de rua ou qualquer transeunte descalço ou munido de roupas velhas e aparência pouco higiênica.

Também não é tarefa fácil avistar deficientes físicos, cadeirantes, ou algum portador de necessidades especiais. É como se os moradores de Pyongyang não passassem por qualquer tipo de necessidade, algo até certo modo artificial.

É importante ressaltar que a capital da Coreia do Norte abriga somente a elite do país, aquelas pessoas consideradas mais fiéis ao governo. A capital fornece um número expressivo de táxis e outros automóveis e não há sinais de engarrafamento na região. Às nove horas da noite tudo fecha. Praticamente todas as luzes se apagam e, nas ruas, só é possível enxergar as imagens e estátuas do líderes iluminadas.

PRINCIPAIS RESTRIÇÕES

Não é permitida a aquisição de carros próprios para a imensa maioria dos norte-coreanos. Embora seja lei, é evidente que as principais elites sociais, compostas essencialmente pelos integrantes dos postos mais altos do Partido Comunista, utilizam táxis de última linha ou em veículos sedãs chineses e Pyeonhwa, de fabricação local. Uma minoria ainda mais privilegiada desfila em modelos modernos da BMW e da Mercedes Benz, que contrastam com as Mercedes azul- claro da década de 1980, destinadas ao transporte de convidados, e com velhos bondes do transporte público.

De modo geral, o acesso à saúde e à educação são gratuitos no país, assim como o consumo de energia elétrica e gás.As cadernetas para controle dos gastos de cada família deram lugar a cédulas e a cartões de crédito, aceitos apenas na Coreia do Norte.

A maioria dos moradores da capital recebem um salário estatal estimado em cerca de cinco mil wons, algo equivalente a cinquenta dólares no câmbio oficial. A quantia paga por produtos similares é imensamente inferior na comparação entre habitantes e estrangeiros, que são proibidos de frequentar estabelecimentos destinados apenas aos locais.

Em vias gerais, não há nada que impeça a classe média pode, caso possua dinheiro suficiente, de consumir produtos estrangeiros, visitar cafés ou jantar em restaurantes mais refinados.

Em contrapartida, quando o assunto é telefone celular, vale destacar que os aparelhos só chegaram ao país em meados do anos de 2008, há pouco mais de uma década, mas o seu uso é extremamente limitado.

Não há a possibilidade de realizar ligações internacionais, nem para os estrangeiros que moram no país. Os norte-coreanos tiram fotos com seus aparelhos e trocam arquivos MP3 entre si, mas, pasmem, não há câmeras frontais, nem tampouco paus de selfie.

Os habitantes da Coreia do Norte também consomem livros nacionais e leem o jornal do Partido dos Trabalhadores em seus aparelhos celulares. Televisão e rádio, só nacional, com cem por cento da programação fornecida pelo Estado.

E por mais que pareça impossível, acreditem, os norte-coreanos não possuem acesso a internet em pleno ano de 2020. Se comunicar com o mundo exterior, até mesmo com os países fronteiriços, é uma tarefa praticamente impossível.

UM MUNDO DE ILUSÕES E PRIVAÇÕES

Se há uma coisa que funciona no país mais fechado do mundo, onde a grande maioria da população acredita se tratar do melhor país do planeta, o melhor lugar para se viver na Terra, é a propaganda. Os norte-coreanos que nasceram depois da divisão da então Coreia, em 1948, acreditam que seu líder supremo é o mais próximo que se pode chegar de um ser divino.

Fora da capital, a população mais pobre passa fome e algumas pessoas chegam a morrer de inanição, pois a produção agrícola em grande escala só é promovida pelo Estado.

Os norte-coreanos são condicionados, desde os primeiros momentos da infância, a louvarem profundamente o seu líder maior, Kim Jong-un, que hoje já o terceiro da dinastia iniciada no referido ano de 1948, com o seu avô Kim Il-Sung, então apoiado pela China e pela União Soviética.

Embora muitas informações sobre a vida na Coreia do Norte seja escassa, os pouquíssimos turistas, quando autorizados a conhecer o país, só podem circular pelas ruas e fazer viagens acompanhados por um agente do Governo.

Só é permitido o diálogo com pessoas autorizadas pelo agente. Desde os primeiros anos de vida, as crianças locais aprendem a viver em constante estado de vigília, para que ninguém fale ou faça algo contra os seus líderes.

Informações com essas, que comprovam a falta de justiça e de liberdade na Coreia do Norte, só são conhecidas no mundo livre por conta dos poucos casos de pessoas que conseguiram fugir do país.

As prisões e os campos de trabalhos forçados estão repletos de pessoas que, na prática, não são criminosos. Talvez seja por esse motivo que muitos se ajudam em lugares de péssimas condições de vida sem querer nada em troca, simplesmente pelo fato de que todos estão sofrendo nas mãos da opressão de um sistema desumano.

O patrulhamento é tão intenso no país mais fechado do mundo que até mesmo os pensamentos das pessoas são motivo de longos interrogatórios, seja nas escolas, nas fábricas e, principalmente, nesses campos de trabalhos forçados.

Os presos são obrigados a ouvir longos discursos sobre a glória da Coreia do Norte, depois de um dia inteiro de trabalho pesado, quase sem alimentação, e se pegam no sono durante a exposição, podem ser punidos severamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se precisamos falar em números, a ONU estima que o governo norte-coreano mantém em cativeiro cerca de 120.000 presos políticos, alojados nesses campos de concentração onde morrem de fome, são agredidos, violados e escravizados.

Os direitos civis são um conceito completamente abstrato, e a ideia de democracia parece jamais ter sido fortalecida na formação intelectual dessas quase vinte e seis milhões de pessoas que seguem privadas de seus direitos fundamentais. Será que algum dia veremos esse cenário ser revertido?

 

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