Como vivem as mulheres no Oriente Médio?

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Todos os anos milhares de pessoas se unem para parabenizar as mulheres pelo seu dia: afinal, no dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. 

A origem desse dia tão especial remonta ao início do século 20, mais especificamente o dia 26 de fevereiro de 1909, em que ocorreu uma grande passeata em Nova York que contou com cerca de 15 mil mulheres se manifestando em busca de seus direitos. A partir de então, mulheres no mundo todo permanecem em busca de seus direitos, conquistando mais e mais a cada dia que se passa em muitos países do mundo. 

Todos os dias as mulheres lutam para conseguiram uma posição de respeito na sociedade, ao passo que vemos que a igualdade entre os gêneros se aproxima cada vez mais, apesar de haver ainda um longo caminho a ser percorrido – sim, um caminho bem longo, por sinal! 

Assim sendo, um assunto que não sai da questão popular é: o Oriente Médio. Sabemos que os países de língua árabe há milênios perpetuam tradições que, na maioria das vezes, acaba desfavorecendo os indivíduos do sexo feminino. Por isso, uma questão acaba se tornando uma grande curiosidade para nós: como será que vivem as mulheres do Oriente Médio? Será que elas também lutam por sua liberdade? Ou melhor dizendo…será que elas conseguem saber o que isso significa? 

O Universo Inteligente apresenta: Como vivem as mulheres do Oriente Médio? 

Enquanto aqui no Brasil as mulheres lutam pelo fim da violência doméstica e pela igualdade de gêneros, sobretudo no que diz respeito aos salários e às diferentes profissões, no Oriente Médio a situação é um pouco diferente. Na verdade, muito diferente, por assim dizer! As mulheres ainda lutam por direitos básicos, como andar pelas ruas sozinhas ou mesmo poder estudar em uma universidade. 

Uma pesquisa realizada pela Fundação Thompson Reuters concluiu que o Oriente Médio é o local mais perigoso para as mulheres viverem, liderando os índices de violência e abuso sexual no mundo inteiro. 

Um ranking estabelecido entre os países do Oriente Médio apontou os perigos oferecidos às mulheres não só pela sociedade como um todo, mas também por suas próprias constituições que, ainda, não dispõem de leis que possam garantir a proteção das mulheres em muitos aspectos. 

Os três países que lideram o ranking de países mais perigosos para as mulheres são: o Egito, o Iraque e a Arábia Saudita. 

Estima-se que 99,3% das mulheres egípcias tenham sofrido algum tipo de violência sexual, sendo comum casos de estupro e ações de violência física de uma forma geral. Segundo um estudo realizado pela ONU, mais de 27 milhões de mulheres tiveram os órgãos genitais mutilados, sem contar os casos de estupros e assassinatos em série que assolam o país. O Egito, inclusive, também é quase nulo em representatividade feminina na política, na economia e em diversos setores da sociedade.  

Já no Iraque, que ocupa a segunda posição do ranking, as notícias também não são tão animadoras: desde 2003, quando se deu a invasão estadunidense no país, os diretos das mulheres retrocedem a cada dia. Além da alta taxa de estupros, violência e assédio em constante aumento, estima-se que a taxa de analfabetismo tenha crescido em 10% nos últimos dez anos. No Iraque, as mulheres são frequentemente vendidas e estupradas, não havendo a quem ou a o que recorrer legalmente para assegurar a sua proteção e a punição de seus agressores. 

É uma realidade assustadora e você deve estar se perguntando: será que a situação pode piorar? Bem… infelizmente, pode: na Arábia Saudita, há uma ampla variedade de direitos que… as mulheres simplesmente não possuem e sequer ouviram falar. Neste país as mulheres não podem dirigir veículos e não podem andar sozinhas. Conseguir seus próprios empregos e viajar para o exterior? Esquece! Isso é algo que sai totalmente do imaginário de qualquer mulher da Arábia Saudita, já que até mesmo abrirem suas próprias contas bancárias é algo proibido no país. Isso significa que para quase tudo o que uma mulher tenha de fazer, é estritamente necessário depender de alguém do sexo masculino. Caso uma mulher queira cursar o nível superior em uma universidade, é necessária a autorização prévia de um membro da família do sexo masculino para tal: seja o pai, o irmão ou marido e, muitas vezes, dependendo dos interesses da família, essa autorização não é obtida. 

Um relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que um terço de todas as mulheres do mundo inteiro já foi vítima de violência doméstica. No entanto, o maior problema dos países do Oriente Médio é que essas ocorrências são estimuladas pelas próprias políticas públicas que restringem a liberdade e os direitos femininos, com uma gama de proibições básicas de dos direitos mais fundamentais de um ser humano, como o de ir e vir livremente, seja andar pela rua ou mesmo sair do país, como também o acesso à informação ou à educação de nível superior. 

E os números de violência contra a mulher no Oriente Médio só aumentam, sobretudo por conta da chamada “Primavera Árabe”, um movimento em que várias revoltas e manifestações públicas se estabeleceram entre países diversos de língua árabe. Após essa série de conflitos e protestos, os atos de desrespeito e violência contra as mulheres aumentaram exponencialmente. 

Parece que não estamos no século 21, não é mesmo? Mas, em muitos países do Oriente Médio essa é a realidade em que as mulheres vivem: ainda existem muitos homens que agem como verdadeiros sultões, acreditando que as mulheres existem para o único propósito de servi-los. 

A mutilação dos órgãos genitais, tortura dentro da própria casa, segregação e maus tratos fazem parte da rotina de uma mulher no Oriente Médio e o pior disso tudo é o fato delas não ter a quem poder recorrer para pedir ajuda. 

Muitas vezes seus maridos se tornam seus próprios assassinos e passam, praticamente impunes diante a legislação. 

Considerações finais 

A ONU tem realizado grandes esforços para conscientizar a aplacar a situação de violência contra as mulheres no Oriente Médio. No entanto, um estudo do Pnud, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, divulgado em Março de 2020, aponta que 90% da população mundial tem algum tipo de preconceito contra as mulheres. 

A análise mostrou que a maneira de pensar que diminui a mulher persiste no mundo inteiro não somente por homens, como também pelas próprias mulheres. 

Na análise com 75 países, 90,6% dos homens e 86,1% das mulheres demonstrou ter algum tipo de preconceito em relação ao sexo feminino a respeito da igualdade de gêneros em áreas como política, economia, educação, direitos reprodutivos das mulheres e até mesmo violência doméstica.  

De acordo com o estudo, cerca de metade da população considera que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres, e mais de 40% acham que os homens são mais capazes de dirigir uma empresa do que uma mulher. 

Não obstante, 28% dos consultados consideram justificado que um homem bata em sua mulher para discipliná-la ou por algum outro motivo qualquer. 

O mais assustador disso tudo é que os 75 países representam 81% da população mundial sendo que os líderes, é claro, foram os países do Oriente Médio. 

Nos países da Europa, na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos os percentuais são bem menores. Já no Brasil, 89,5% dos entrevistados revelaram ter ao menos algum tipo de preconceito contra mulheres, sendo que os brasileiros se mostraram mais preconceituosos na questão de sua integridade física. De acordo com o estudo, 77,95% mostraram-se a favor ou indiferentes à violência doméstica e aos direitos reprodutivos da mulher. 

Enquanto isso, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e no Sudão as vítimas de estupro que procuram a polícia podem ser presas por adultério. Já no Egito, dados da ONU mostram que desde a queda do ditador Hosni Mubarak em 2011, mais de 90% das mulheres foram expostas a algum tipo de assédio sexual.  

As realidades paralelas são mais duras em alguns cantos do mundo em relação a outros, apesar de estarmos no século 21.  

E a solução? Começa aqui: com a nossa maneira de pensar, tornando público assuntos como esse que, muitas vezes, fechamos os nossos olhos para não ver. 

Através do conhecimento de uma realidade nada agradável como essa e dando vozes às mulheres através do respeito e da empatia por sua luta diária, podemos atingir mais e mais pessoas. 

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